A contingência da amante ou ser apelidada como “a outra” nunca fez
parte do cardápio das minhas relações amorosas. Sempre preferi não
partilhar nem nunca ser partilhada. Uma relação deve ser vivida a dois,
nunca a 3 ou a 7. Uma relação vivida a 7 relata apenas o número
simbólico das pessoas que se intrometem numa relação. Aqui falo da
família que “também” namora ou dos amigos que também gostam de opinar
acerca do que é ou não é. Dos namorados que tive nunca apresentei um à
minha família, talvez porque eu e os meus pais e irmãos sabemos separar
as águas, ou porque eu não gosto muito de ser catalogada como sendo a
“namorada” deste ou daquele ou se calhar porque verdadeiramente nunca
tive qualquer estabilidade amorosa que me fizesse querer mostrar todo o
mundo em que vivo.
Se alguma vez o tivesse feito, cada vez que terminava um
relacionamento lá teria que abrir o caderno de encargos e começar a
ditar as razões pela qual eu e aquela pessoa não estamos juntas. Não
deu. Ponto. Não dá. Ponto.
Quando a família ou os amigos se querem
intrometer no terminus de uma relação normalmente resulta em duas
situações: zangas ou em cedências. Normalmente as zangas acabam por
passar porque a família chega a um ponto que acaba por perceber que já
nada mais à a fazer senão aceitar a decisão do rebento e desejar apenas o
seu melhor, e o melhor significa a felicidade e o bem-estar da pessoa.
As cedências comportam num “faz de conta” que se está muito feliz, que
afinal valeu o esforço de juntar o casalinho novamente. Aparentemente é
isso que acontece nos primeiros meses, parece uma cena de frete contente
que se faz, depois volta tudo ao mesmo, voltam as zangas, volta o
desinteresse sexual, volta o refúgio noutras cidades, noutros locais e
com outras pessoas. Vai arrastando o final, que não precisa
necessariamente de ser trágico. Quando chega o verdadeiro explodir da
pressão já não há família que valha, nem usar os vícios sexuais que o
corpo tem para convencer a volta ou outras artimanhas fracas. Nada.
Acabou. Secou